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25 de janeiro de 2018


Há anos que atravesso as águas deste jardim saltitando de pedra em pedra. Podia contornar e seguir por caminho mais seguro mas é divertido desafiar a lei da gravidade e manter o equilíbrio entre elas sem molhar os pés.

Ontem, talvez pela primeira vez, parei para fotografar os reflexos dos altos arvoredos e enquanto escolhia enquadramentos, efeitos e ângulos comecei a observar os vários comportamentos e escolhas das pessoas que iam passando.

Adultos que cuidadosamente levavam as crianças pela mão ajudando a que os seus pezinhos não caíssem na água, adultos que atravessavam sem sequer olhar onde pisavam tal era a sua segurança, idosos que indecisos iniciavam o percurso mas desistiam por se sentirem demasiado trémulos para continuar, desportistas que na sua corrida de final de tarde pisavam firme e decididamente de duas em duas pedra porque a passada era grande e certeira.

Tantas pequenas coisas, situações que nem têm tanta importância assim e que nos mostram como todos nós somos diferentes, como a idade nos vai modificando,como cada um de nós nas varias situações que enfrenta toma decisões diferentes.

Afinal não passam de vários riachos que atravessam um jardim apenas para o embelezar, afinal um mundo para observar e reflectir.

24 de janeiro de 2018


Despistada, esquecida, trapalhona, "estraga-albardas" como se diz no Alentejo.
Expressões que oiço diariamente daqueles com quem convivo, mas quem me conhece bem sabe que tenho a cabeça sempre na lua, sim,  mas os pés sempre bem assentes na Terra.

Sou assim e é assim que sou feliz.
Não adianta tentarem modificar-me porque ainda ninguém conseguiu, nem pais ou avós, professores ou educadores, familiares ou amigos de coração.

Todos eles acabaram por se habituar a esta pessoa que leva a vida muito a sério mas com uma boa  dose de loucura.

Pés bem assentes na Terra e cabeça no mundo da Lua.
Sou eu!

19 de janeiro de 2018


Veio de outro país, percorria as nossas ruas à procura de um poiso, encontrava um local sossegado onde pintava a cara, punha um sorriso e seguia para o principal largo da cidade.
Ali ficava, fazendo boquinhas, gestos e brincadeiras para que fossem caindo umas pequenas moedas na caixinha posta à sua frente.
O seu olhar azul mar, rodeado de marcas da idade ficava brilhante.
Fiquei a olhar para ele algum tempo, fotografei-o, dei uma moeda, apreciei o seu agradecimento e nunca entendi se o brilho dos olhos era de uma alegria modesta ou de um marejar de tristeza.

Ao seu lado um velho e sujo cão esperava pacientemente pelo seu dono.
Nunca mais esqueci estes olhos,  este homem de aparência sofrida vindo de um outro país.
Não é impresso em papel que este olhar se mantém preso a mim, mas na memória de um dia cinzento em que me cruzei com ele.

Não o voltei a ver, não sei o seu paradeiro, nunca soube o seu nome.
Não sei nada do homem nem do palhaço, mas aprendi que realmente pintar a cara é um bom modo de esconder mágoas e tristezas.

14 de janeiro de 2018

Entre a névoa


Dentro da natureza e no meio de quase nada.
Mas o cheiro a musgo leva-me à infância e aos presépios que com ele ornamentava, a neblina envolta num ambiente de mistério aviva a beleza do local.
Tudo aqui é tranquilo, belo e puro.

Passei apenas, mas levo os sentidos apurados e o coração tranquilo.

Há sítios assim!

(recanto no concelho de Sintra)

13 de janeiro de 2018

Espero por ti


Sei que esperas por mim, que te revestes de paciência para me veres aproximar depois de eu me perder em pormenores, cantos e recantos.
Sei que tenho o teu abraço para me envolver e encorajar nos momentos menos bons.
Que posso sempre escutar as tuas palavras de bom senso quando o meu se distrai e parte para a minha infância.
Mas também  sei esperar por ti, dar-me, abraçar-te, rir contigo e consolar-te.
São as nossas cumplicidades, somos nós.
Cúmplices!

(Mourisca, Setúbal)

8 de janeiro de 2018


Tento ver sombras para além das cortinas gastas e velhas.
Não vejo nada, não sei se estará lá alguém, mas acredito que outrora se fizeram conversas, ouviram choros e risos, viveram emoções, amores e desamores.
Outrora morou gente como eu, que amou como eu amo, que viveu uma vida como eu vivo a minha, que cresceram crianças como as minhas cresceram.

Como  olhar para uma velha janela, num prédio antigo, com cortinas rotas e velhas pode libertar a minha imaginação e ocupar a minha mente com fantasia e leveza.

Caminhar atento, caminhar e olhar, caminhar e imaginar, caminhar e divagar !

(Mouraria, Lisboa)

5 de janeiro de 2018

Velhas e gastas



Velhas e usadas, cansadas de palmilhar  por caminhos, ruas e estradas.
Subiram e desceram escadas, pisaram água da chuva, lama e pisos escorregadios.
Andaram a direito, saltaram obstáculos, deram passos certeiros e passos errantes.

Agora, velhas e gastas foram largadas num canto à espera que alguém ainda as aproveite.
Alguém que precise de palmilhar caminhos, ruas e estradas.

Assim é o ciclo da vida.

(Feira da Ladra, Lisboa)

3 de janeiro de 2018


No barulho do mar procuro o meu silêncio e no aroma salgado procuro a doçura da vida.
Preciso de o ter perto de mim, preciso que me renove sentimentos, que me oiça ou me deixe sem palavras.
Sempre bom conselheiro, o mar leva as minhas duvidas e trás-me as respostas que preciso.
É companheiro e amigo, o meu amigo mar!

(falésia na Lourinhã) 

2 de janeiro de 2018

Apenas ir


Ir ao encontro do nada, sem planos nem horários.
Entrar na natureza, cheirar o ar, olhar as nuvens, fixar o topo das árvores já despidas e seguir.
Sentir a liberdade, ouvir o silêncio e seguir.
Apenas ir !

(algures num estrada)

1 de janeiro de 2018

Benvindo




Absorvi a tranquilidade, guardei a beleza e respirei a liberdade de tudo que o meu olhar abrangia.
Abri horizontes, sonhei com novos caminhos, acreditei no que sempre me moveu: gratidão, esperança, amor e força de viver.
Assim dei as boas vindas ao novo ano.

Viva a Vida!

(Miradouro de Sta Catarina-Portimão)